O mistério de Casaldáliga

O mistério de Casaldáliga

O mistério de Casaldáliga

8 de setembro de 2020

A vida de Pedro Casaldáliga

O impacto da morte de Casaldáliga (Pere, dom Pedro, Pedro), tem sido enorme, impressionante, não apenas nos espaços eclesiásticos. Merece, sem dúvida, uma reflexão.

Surpreende que aquele jovem de Balsareny que entrou no seminário de Vic e depois nos Missionários Cordimarianos-Claretianos, bem na época da ditadura de Franco e da Igreja de cristiandade pré-conciliar, ao ir para o Brasil tenha se tornado um Santo Padre da Igreja dos pobres e profeta da libertação.

Velatorio de Casaldàliga en el Santuario de los Mártires de la "Caminhada", en su Prelatura del Araguaia

Casaldáliga morreu numa cidade perto de São Paulo e os seus restos mortais foram levados para a sua cidadezinha de São Félix do Araguaia. No caminho, o seu corpo foi velado por centenas de pessoas da sua Prelazia que queriam dar-lhe um último adeus. Foto: Dagmar Talga.

De onde foi que Casaldáliga tirou a força para trabalhar pastoralmente em São Félix do Araguaia com os Tapirapé e os Xavante; para defender os posseiros contra os latifundiários; para promover organizações e movimentos sociais e eclesiásticos no Brasil e em toda a América Latina; para criticar o Império do Norte e dizer a Pedro para deixar a cúria, desmantelar o sinedrio, a muralha e abandonar os filactérios? Como teve a liberdade profética de amaldiçoar as cercas e a propriedade privada que escravizam a terra e os seres humanos? Quem o fez resistir às ameaças de morte dos poderosos e às críticas, suspeitas e vetos dos seus irmãos de báculo e mitra?

Como conseguiu enfrentar a pobreza, as longas viagens de ónibus, a solidão e as limitações finais do irmão Parkinson, enquanto o seu coração estava alegre e “cheio de nomes”? De onde veio a sua esperança de que, embora sejamos combatentes derrotados, a nossa causa é invencível, caminhamos em direcção à Terra sem Males, em direcção à utopia, em direcção à Esperança com maiúscula?

En las despedidas de Casaldáliga estuvieron presentes los símbolos de su vida a favor de los trabajadores rurales y los Pueblos Indiígenas

Nas despedidas a Pedro Casaldáliga, os símbolos que representam as suas causas a favor dos trabalhadores rurais, dos Povos Indígenas e contra a propriedade privativa estavam muito presentes. Foto: Dagmar Talga.

Pedro não morreu de pé como as árvores, mas na cama, quase sem conseguir falar e totalmente dependente dos outros, não tendo nada, não carregando nada e não podendo nada.

Estamos diante de uma vida misteriosa. Ele não foi um simples planificador pastoral, não foi sociólogo, nem economista. Não foi apenas um revolucionário político. Qual foi a raiz última da sua vida, qual é o seu mistério oculto? Felizmente, a sua poesia oferece-nos a chave hermenêutica da sua vida.

Não se trata apenas de poemas estéticos, mas místicos, como os de São João da Cruz, que nos abrem para o Mistério último, para um Você, um Você com quem ele tem uma relação que não é meramente individual e religiosa, mas histórica, que o leva a subir e descer do Monte Carmelo, para ouvir o Vento do Espírito na rua.

Página del libro "El tiempo y la espera" de Pedro Casaldáliga

«El tiempo y la espera» é um dos livros de poesia que Casaldáliga dedica: “Aos pobres, aos mártires, aos contemplativos, aos militantes e teólogos da libertação, para os quais e com os quais -por Ele, com Ele e para Ele- o tempo se torna cristão e e esperança esperançada”.

Esse Você é Jesus de Nazaré, versão de Deus na limitação humana, feito homem no ventre de Maria e classe na oficina de José. Para Casaldáliga, Jesus de Nazaré é a sua força e o seu fracasso, a sua herança e a sua pobreza, a sua morte e a sua vida. É o Jesus da cova de Belém e dos pastores, das bem-aventuranças, dos pobres e dos pequenos, das mulheres fiéis, da paixão e da cruz, do Jesus do Reino, do amor feito alimento.

Esse Jesus é pedra de escândalo e pedra angular, como também são os pobres; é o libertador total, assassinado pelo Templo e pelo Império, mas cujo túmulo vazio, tal como os túmulos do povo massacrado, anuncia a manhã da Páscoa. Para Casaldáliga existem apenas dois absolutos: Deus e a fome; onde há pão, lá está Deus.

O bispo de São Félix foi sempre tocado pelo capítulo 21 do evangelho de João, que ele o entendia como uma síntese da sua vida: a abundante pesca no lago de Tiberíades depois do fracasso da noite escura, enquanto na margem uma personagem misteriosa o convida para almoçar e pergunta a Pedro se ele o ama: «Jesus de Nazaré, filho e irmão,/ vivendo em Deus e pão na nossa mão,/ caminho e companheiro da viagem,/ libertador total da nossa vida/ que vem pelo mar, com a aurora,/ as brasas e as feridas ardentes».

Pedro Casaldáliga en el Río Araguaia

«No amanhecer pascal da ressurreição, à beira do Araguaia, há Alguém que o espera de braços abertos para partilhar o pão.»

Agora, finalmente, Casaldáliga está enterrado junto ao rio Araguaia, um rio que simboliza o Mar Vermelho, o Jordão e o lago de Tiberíades. E no amanhecer da Páscoa da ressurreição, à beira do Araguaia, há Alguém que o espera de braços abertos para partilhar o pão. E talvez uma garça branca vigie a sua sepultura. O mistério da vida de Casaldáliga nos foi finalmente revelado. Os pobres o ensinaram a ler o evangelho.

Obrigado, Pedro, porque com a tua transparente vida evangélica, você nos aproxima do Mistério último e no meio das noites escuras, você faz mais confiante a nossa fé.

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Esse foi o adeus a Casaldáliga em sua cidade natal

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21 de agosto de 2020

A vida de Pedro Casaldáliga

Pedro Casaldáliga morreu no dia 8 de agosto, aos 92 anos, no hospital da Santa Casa de Batatais, próximo a São Paulo, para onde havia sido transferido de São Félix do Araguaia por problemas pulmonares.

A notícia se espalhou imediatamente pelo mundo e as condolências e elogios ao seu perfil biográfico e, sobretudo, às suas causas, ocuparam a mídia.

No dia seguinte, domingo, enquanto se realizava a primeira missa de seu funeral na capela do Centro Universitário Claretiano de Batatais, em sua cidad natal, Balsareny, na Catalunha, houve um encontro espontâneo na Praça Ricard Viñas, em frente à Casa do Leiteiro (Cal Lleter), onde o bispo Pedro, filho do leiteiro da cidade, nasceu.

Concentració davant la casa natal de Casaldàliga a Balsareny

Com máscaras e na distância de segurança, centenas de pessoas testemunharam sua dor e transmitiram seu amor à família Casaldáliga, representadas pelas duas irmãs de Pedro, Carme e Maria, e suas sobrinhas.

Algumas pessoas dos grupos culturais da cidade declamaram poemas de Casaldáliga (Retorn pairal e Castell de Balsareny); em seguida, Martina Ruiz tocou a música de Pau Casals, um clássico da Catalunha, “El cant dels ocells” no violoncelo e os presentes cantaram também o hino da montanha de Montserrat, o “Virolai”, após um minuto de silêncio e reflexão.

O evento, breve e emocionante, foi encerrado por Anna Casaldáliga, sobrinha do bispo, que agradeceu em nome da família e pediu para continuar trabalhando pelas causas de Pedro Casaldáliga. Os presentes responderam com uma longa salva de palmas.

Concentració espontània davant la casa natal de Pere Casaldàliga el dia del seu traspàs

Enquanto isso, no Brasil, os restos mortais do bispo foram transferidos de Batatais para São Félix do Araguaia, passando pelo santuário dos mártires, em Ribeirão Cascalheira, já em Mato Grosso, em meio a demonstrações emocionantes de luto da população, e foi sepultado, seguindo seu testamento expresso, no cemitério dos índios Karajá, às margens do rio Araguaia, na quarta-feira, 12 de agosto.

Em Balsareny, no dia 15, foi realizada a missa-funeral. Uma celebração austera e ao mesmo tempo acolhedora, idealizada pela família Casaldáliga, grupos de voluntários da Comissão Pere Casaldàliga, a entidade Balsareny Educa e outras organizações locais, com a colaboração da Prefeitura Municipal.

Como o interior da igreja tem espaço limitado devido as limitações sanitárias, os bancos normalmente utilizados foram colocados fora da Igreja, juntamente com um grande número de cadeiras, que os assistentes colocaram na praça da cidade. Um sistema de som foi instalado para que o povo da praça pudesse ouvir tudo o que se falava no templo, pois havia parlamentos muito profundos, emocionantes e interessantes.

Para além de um retrato do Pedro Casaldáliga, foram colocados no altar e no exterior da igreja vários elementos carregados de simbolismo, que poderá descobrir clicando nos círculos com o “+” na imagem:

A celebração foi presidida pelo Padre Joan Soler, claretiano da cidade de Vic, presidente da Associação Araguaia com o Bispo Casaldáliga e amigo pessoal de Pedro. Ele esteve acompanhado pelo reitor de Balsareny, Antoni Bonet e por outros doze sacerdotes da diocese de Solsona e companheiros claretianos.

A parte musical foi interpretada pelo pianista Carles Cases, descendente de Balsareny, compositor da suite Araguaia, acompanhado por Sveta Trushka no violoncelo e Teresa Noguerón no clarinete. O Coro Sant Esteve de Balsareny, dirigido por Marc Comabella, interpretou várias canções da Missa e, no final, a música Pere Casaldàliga , de ‘Balsareny mais de mil anos’, e a Virolai .

Música del compositor Carles Cases, que ha dedicat diverses obres a Casaldàliga i l'ha visitat a l'Araguaia

A missa começou com uma introdução de Glòria Casaldàliga Riera, que leu este poema de Pedro Casaldáliga:

Eu morrerei de pé como as árvores.
Me matarão de pé.
O sol, como testemunha maior, porá seu lacre
sobre meu corpo duplamente ungido.

E os rios e o mar
serão caminho
de todos meus desejos,
enquanto a selva amada sacudirá, de júbilo, suas cúpulas.

Eu direi a minhas palavras:
– Não mentia ao gritar-vos.
Deus dirá a meus amigos:
– Certifico
que viveu com vocês esperando este dia.

De golpe, com a morte,
minha vida se fará verdade.

Entre tantas coisas que foram ditas, destacamos as palavras de Joan Soler, explicando como o amor que Pedro semeou ao longo do seu caminho o eterniza. Ele também citou as palavras que uma mulher da comunidade Karajá dirigiu ao falecido:

Você amou minha terra e me ensinou a olhar para ela com novos olhos. Você sempre ajudou os mais fracos e agora descansa no Cemitério Indígena Karajá, ao lado de meus ancestrais. A imortalidade é sua, espero vê-lo lá de novo, nas estrelas.

Mulher do Povo Karajá

Les germanes de Pere Casaldàliga, Carme i Maria, a la missa-funeral de Balsareny

Também foi muito intensa a fala de Cristina Casaldàliga:

“Conforta-nos que, como quiseste, você faleceu com o povo que tanto amou. Apesar da distância, você sempre esteve conosco. Nunca se esqueceu de parabenizar os nossos santos e aniversários e cuidar de sua mãe, seus irmãos, as meninas, o resto da família, o povo e o país. Você também nos deu lição de casa: vá visitar a Virgem do Castelo, Montserrat, e nunca deixem de cuidar da Casa de Candàliga. Como um bom filho de Balsareny, você tem sido um incansável transportador [traginer] de esperança. Continuaremos apoiando suas CAUSAS, que hoje são mais válidas do que nunca, e persistiremos nessa esperança”.

Lembretes foram entregues com o epitáfio que ele queria em seu túmulo: “Para descansar / Eu só quero / esta cruz de madeira / com chuva e sol, / estas sete palmas / e a Ressurreição ! »; havia também uma foto da pintura da catedral de São Félix do Araguaia e frases do bispo Pedro sobre suas causas.

Recordatòria de la Missa-Funeral per Pere Casaldàliga a Balsareny

Na despedida estiveram presentes Francesc Escribano, amigo da família e autor da biografia de Pedro, “Descalço sobre a terra vermelha”, e a jornalista Mònica Terribas.

Também estiveram presentes o Ministro das Relações Exteriores da Generalitat, Bernat Solé, a senadora Mirella Cortès, a ex-prefeita de Sallent, o presidente do PDECat, David Bonvehí, e o ex-presidente da Justiça e Paz, Arcadi Oliveres, entre outras personalidades do mundo da política, da cultura e do ativismo social.

Publicação da Revista Sarment, do Cercle Cultural de Balsareny.

Tradução e adequação: Casaldáliga-Causas

 

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Informação funeral Casaldáliga

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9 de agosto de 2020

A vida de Pedro Casaldáliga

Enterrem-me no rio,
Perto de uma garça branca.
O resto já será meu.

E aquela correnteza franca
Que eu, passando, pedia,
Será pátria recuperada.

O êxito do fracasso.
A graça da chegada.

A sombra-em-cruz da vida
Sob este sol de verdade
Tem a exata medida
Da paz de um homem morto…

E o tempo é eternidade
E toda a rota é porto!

Pedro Casaldáliga. Oração: meu corpo como comida

Informamos que, na Catalunha, as cerimónias oficiais de despedida de Pedro Casaldàliga serão realizadas:

1- Em Balsareny
Na Paróquia da cidade onde ele nasceu, no dia 15 de agosto de 2020 às 19:30 horas.

2 – Em Barcelona
Devido à pandemia, ainda não temos uma data definida. Estamos trabalhando para disponibilizar un local adecuado e que cumpra todas as regulamentações de saúde. Informaremos assim que possível.

No Brasil, acontecerá em três locais:

1 – Em Batatais – SP
O corpo de Dom Pedro Casaldáliga, CMF, será velado, no dia 08 de agosto de 2020, a partir das 15 horas na capela do Claretiano – Centro Universitário de Batatais, unidade educativa dirigida pelos Missionários Claretianos, situada à rua Dom Bosco, 466, Castelo, Batatais, São Paulo, Brasil.

A missa de exéquias será celebrada, em Batatais, no dia 09 de agosto de 2020 às 15h, no endereço acima e será aberta ao público em geral.

Poderão seguir a missa no link a seguir:

2 – Em Ribeirão Cascalheira – MT
O corpo de Dom Pedro Casaldáliga, CMF, será velado no Santuário dos Mártires, no dia 10 de agosto. O Santuário estará aberto a toda a comunidade.

3 – Em São Félix do Araguaia – MT
O corpo de Dom Pedro Casaldáliga, CMF, será velado no Centro Comunitário Tia Irene no dia 11 de agosto e sepultado no cemintério Karajá à beira do Rio Araguaia em sua cidade, São Félix do Araguaia, como ele sempre quis.

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COMUNICADO: Falecimento de Pedro Casaldáliga

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8 de agosto de 2020

A vida de Pedro Casaldáliga

Lamentamos profundamente informar que Pedro Casaldáliga faleceu hoje na idade de 92 anos.

Nascido em Balsareny (Catalunha) no 16 de fevereiro de 1928, Casaldáliga assumiu com coerência radical e empenho a Opção pelos Pobres e tem sido uma das figuras mais destacadas da Teologia da Libertação.

Bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia desde 1971, Casaldáliga trabalhou sempre a favor dos peões, dos camponeses, dos sem-terra e dos Povos Indígenas, se posicionando abertamente contra o latifundio, o agronegócio e todos os poderes económicos que negam os direitos dos indivíduos e dos povos.

Poeta, escritor e comunicador por vocação, Casaldáliga foi autor ou co-autor de mais de 100 obras traduzidas para várias línguas e através das quais expressou os seus sentimentos e paixões mais íntimos; a sua posição teológica baseada na libertação e na esperança; a sua visão de um mundo que deve necessariamente optar pela justiça e pela paz; e o seu compromisso com uma Humanidade mais “humana”. Sempre disposto e disponível com todos e todas, Casaldáliga concedeu centenas de entrevistas e escreveu inúmeros artigos, circulares e cartas.

Vitalmente comprometido com aqueles que mais sofrem, Casaldáliga tem levado uma vida marcada pela coerência: Dom Pedro – ou simplesmente Pedro, como gostava de ser chamado – morava há mais de 50 anos em uma casa humilde, com as portas sempre abertas na pequena cidade de São Félix do Araguaia, perto de seus amigos e no meio de sua comunidade. Fez centenas de viagens de ónibus pelo Brasil e visitou frequentemente as comunidades da sua Prelazia de cavalo. Casaldáliga sempre foi “povo no meio do povo”.

Brincalhão, decidido, incansável e bom conversador, Casaldáliga lembrava do nome de todas as pessoas de sua comunidade e as visitava freqüentemente em suas casas, mesmo estando isoladas e distantes. Pedro foi o seu povo.

Fundador de pastorais e organizações sociais dedicadas à luta pela terra, à defesa dos Povos Indígenas e contra o capitalismo neoliberal e as desigualdades sociais, Casaldáliga sempre defendeu a necessidade de termos um compromisso pessoal e comunitário com os mais pobres. Fruto desta visão, tenacidade e luz profética, Casaldáliga inspirou muitos movimentos sociais que hoje enriquecem o tecido social da América Latina e lutam por um mundo melhor.

Muitas vezes censurado, silenciado, perseguido pelos poderosos e tendo sofrido várias tentativas de assassinato, Casaldáliga permaneceu sempre fiel à Utopia: sempre em luta para construir o Reino de Deus na terra. Sempre com esperança.

Mesmo pressionado e questionado pelo Vaticano, Pedro trabalhou sempre a favor da transformação radical da Igreja e da sua estrutura clerical, defendendo e fazendo uma Igreja pobre, co-responsável e participativa.

Hoje, as associações Araguaia com o Bispo Casaldàliga, da Catalunha, e a Associação ANSA, de São Félix do Araguaia, lamentamos profundamente o falecimento de Pedro Casaldáliga, a quem devemos a nossa fundação e cada um destes 40 anos de existência.

Amado Pedro: Do fundo do nosso ser, agradecemos a tua vida “doada”; a tua esperança “esperançada” que nos fez e nos faz caminhar; e toda a luz que você nos deu ao longo de sua vida. Cheios de saudade e de dor, afirmamos que as tuas lutas são nossas; que o teu coração bate em cada um e cada uma de nós e que continuaremos nos esforçando para viver as tuas Causas todos os dias. SEMPRE, COM ESPERANÇA!

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A saúde de Pedro Casaldáliga

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Agosto de 2020

La vida de Pedro Casaldáliga

Actualización [07/08 | 23:45h]: Informamos que, según los doctores que están cuidando de Pedro Casaldáliga, el mismo se encuentra en un estado muy frágil, debido a complicaciones pulmonares. Se está a la espera de que reaccione al tratamiento, pero su respuesta es incierta.

Pedro está siendo cuidado en todo momento para que no sufra y no sienta dolor.

Seguimos unidos en la esperanza y la oración.

Actualización [07/08 | 00:10h]: Según nos informan desde el hospital donde se encuentra ingresado Pedro Casaldáliga, su situación continúa estable dentro de la gravedad, no habiendo presentado empeoramiento en las últimas 24 horas.

Los antibióticos suministrados están ayudando al control de la infección respiratoria y sus funciones cardíacas y renales permanecen estables.

En las próximas 24-48 horas será sometido a una nueva tomografía para evaluar la evolución de su pulmón.

A lo largo del día de mañana, así que tengamos información médica directa, la publicaremos.

Actualización [06/08 | 12:30h]: Nos informa el doctor Antonio Marcos Barbosa, de la Santa Casa de Batatais, en el interior de Sao Paulo, que ayer por la tarde Pedro Casaldáliga fue sometido a una punción donde le extrajeron 600 mililitros de líquido en el pulmón izquierdo.

La intervención ha generado una “confort respiratorio” inmediato.

Casaldáliga también ha sido sometido a una endoscopia para ponerle una sonda en el estómago para garantizar “una alimentación segura y eficiente” y está siendo tratado con antibióticos en la UCI.

“En este momento, mantiene una presión (arterial) muy buena y está estable desde el punto de vista cardiológico”, mientras que “la oxigenación en sangre, después de la punción y los nuevos antibióticos”, va mejorando y ” está más cómodo al respirar “, explicó Barbosa.

“Ahora hay que esperar. Es un individuo muy frágil, de edad avanzada, con una enfermedad de alta gravedad “, agregó.

En este sentido, el médico ha insistido en que todavía “hay gravedad” en el cuadro de salud de Pedro, si bien, en virtud de cómo ha reaccionado el tratamiento en las primeras 24 horas, espera que en “cuatro o cinco días “haya resultados más robustos.

Via: Religión Digital

Actualización [6/08 | 00:09h]: Nos informan desde Brasil que se realizó una punción pulmonar en Pedro Casaldáliga para mejorar sus funciones pulmonares. Casaldáliga permanece en la UCI y su estado es grave, sin embargo, no será necesario realizar ningún otro procedimiento quirúrgico en este momento y continú su tratamiento con antibióticos. Tiene un pulmón comprometido, pero las funciones cardíacas y renales son normales. (Él, cuando era joven, sufrió una neumonía severa que le dejó una secuela permanente en su pulmón, razón por la cual está más debilitado).

Continuaremos siguiendo con atención su evolución.

Actualización [5/08 |11:00h]: Informamos que Pedro Casaldáliga ya está en el hospital Santa Casa de Batatais, en el estado de São Paulo. Su situación es estable dentro de la gravedad. Cuando tengamos el informe médico oficial, informaremos.

Actualización [4/08 | 23:00h]: Informamos que, debido al estado de salud y a la imposibilidad de seguir su tratamiento en São Félix do Araguaia, el Obispo #Casaldáliga está siendo transferido en estos momentos para el hospital de la Congregación de los Claretianos en Batatais, SP. Continuaremos informando.Actualización [4/08 | 16:00h]: Ante algunas informaciones que han circulado en las últimas horas sobre la muerte de Pedro Casaldáliga, comunicamos que el Obispo Pedro continúa ingresado en São Félix do Araguaia y no hay ninguna novedad destacable en su estado de salud.

En estos momentos, se está trabajando con la posibilidad de trasladarlo a un hospital más grande fuera de la región, donde podrá tratarse mejor de los problemas respiratorios que padece. Si esta opción se concreta, informaremos detalladamente.

Evidentemente, su estado de salud es débil y muy fragilizado por el Parkinson y la edad.

Actualización [4/08 | 09:00h]: Informamos a todos los amigos y amigas de Pedro Casaldáliga que el obispo se encuentra ingresado en el hospital São Félix do Araguaia debido a problemas respiratorios.

Casaldáliga está muy debilitado por el Parkinson que sufre hace años y su edad avanzada. La prueba para COVID19 ha dado negativo, pero su situación de salud es muy grave.

Pedro está siempre acompañado y bien cuidado.

Seguimos orando por su salud y esperamos que pueda regresar a casa.

Si hay más noticias, iremos actualizando esta entrada.

Asociación Araguaia con el Obispo Casaldáliga y Asociación ANSA.

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«A doença e a velhice de Pedro não devem ser entendidas apenas como um sofrimento. Deve nos provocar uma “profunda reflexão do significado de 90 anos de vida dedicados à resistência contra o capital e a defesa dos pobres”»

27 de julho de 2020

A vida de Pedro Casaldáliga

«Para descansar
eu quero só
esta cruz de pau
como chuva e sol
estes sete palmos
e a Ressurreição!»

Poema “Cemitério do Sertão”, de Dom Pedro Casaldáliga

A maldita escravidão

Há cerca de 20 anos Dom Pedro Casaldáliga celebrou uma missa no dia de finados num dos cemitérios de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. Ao final, ele disse na presença do povo e agentes pastorais:

Quero que vocês todos escutem muito bem, porque vou falar algo muito sério: é aqui que eu quero ser enterrado.

Pedro Casaldáliga

O “aqui” era o que o povo da região chama de “Cemitério Karajá”, onde foram enterrados muitos indígenas, e outros tantos trabalhadores que vinham de muitas partes e eram explorados nas fazendas de gado. O lugar onde foi enterrada a gente mais humilde daquela terra. O cemitério dos mais pobres.

Das coisas que mais chocaram Dom Pedro quando ele chegou nessa região do Mato Grosso em 1968, era a situação dos “peões”, trabalhadores assalariados que migravam de vários estados na ilusão da vida que iria melhorar no trabalho nas grandes fazendas.

Muito era prometido por quem os recrutava, e já durante a viagem e depois no próprio trabalho muitas dívidas eram sendo atribuídas… A maldição da escravidão por dívida. E fugas eram duramente reprimidas, com a tradição de cortar as orelhas dos trabalhadores que buscavam escapar daquele martírio.

Casaldáliga construíndo casa. 1977

Pedro Casaldáliga do sertão

A situação dos pequenos posseiros e dos vários povos indígenas da região não era muito diferente, nessa terra das maiores concentrações fundiárias durante a ditadura militar.

De fato, o eixo central da A Carta Pastoral que Casaldàliga publicou no dia de sua Sagração Episcopal, em 1971, “Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social” é uma forte denúncia, aberta e detalhada, de todas as situações de exploração e abuso praticadas pelos grandes proprietários contra os mais pobres.

O documento ecoou no Brasil inteiro e foi noticiado nas principais redes nacionais: quatro anos depois de ter chegado à região do Araguaia, Casaldáliga coloca publicamente a Igreja do Araguaia ao lado dos mais pobres e contra as grandes propriedades.

 

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Feito desde o Araguaia e desde Barcelona!

O latifúndio continúa no coração

O latifúndio continuava presente no coração das preocupações do Pedro, 50 anos depois de sua chegada ao Brasil.

Pedro teve sempre essa reflexão profunda de entender que as mudanças estruturais não aconteceriam só por uma vitória mais à esquerda nas eleições. As maiores mudanças precisariam vir da consciência e organização do povo. E a vida pastoral para o Pedro passava fortemente por contribuir na organização do povo na sua luta por direitos, nessa região do Mato Grosso que escolheu viver.

De fato, Casaldàliga e a sua Prelazia tem contribuído decisivamente para a organização de muitas pessoas que lutam pelos direitos econômicos, sociais, políticos e ambientais em todo o Brasil.

Mas toda essa história de muita profundidade de reflexões e ação política foi tratada por apoiadores do presidente eleito em São Félix do Araguaia e região, como um “bispo petista” nessas eleições presidenciais despolitizadas e manipuladas de 2018. Um bispo petista que ainda precisa ser combatido.

Pere Casaldàliga celebrant missa a l'Araguaia

Pedro Casaldáliga celebrando missa em uma das comunidades de sua Prelazia.

Como está o Bispo Pedro

E o bispo Pedro, como é chamado na cidade, continua aqui. O forte avanço do “Irmão Parkison” com quem ele convive há cerca de 20 anos deixa fortes marcas. Os 92 anos também. A sua mobilidade é muito limitada e tem cuidados 24 horas.

Não pode mais se expressar com palavras ou escritos, que sempre foram muito marcantes. E isso certamente é um grande sofrimento para ele. Mas Pedro se comunica de outras formas, com gestos, olhares, apertos fortes nas nossas mãos, e nos dá a benção com os gestos das mãos dele.

A gente sabe que ele está ali, que é o Pedro, e que ele nos sente perto.

E a casa dele continua também sendo um refúgio para os Karajá de passada por São Félix, vindos de alguma das várias aldeias que existem na Ilha do Bananal, do outro lado do Rio Araguaia. Sabem que ali vão ter um copo de água fresca, vão ter um lugar para descansar das andanças pela cidade. E sabem que sempre será dado um prato de comida na hora do almoço.

O bispo Pedro está sempre acompanhado e, agora, o povo que ele cuidou por mais de 50 anos, cuida dele.

 

Pere Casaldàliga

A epígrafe

Na epígrafe está apenas a primeira parte do poema “Cemitério do Sertão”. Mas Pedro continua:

«Mas para viver
eu já quero ter
a parte que me cabe
no latifúndio seu:
que a terra não é sua
seu doutor Ninguém!
A terra é de todos
porque é de Deus!»

A luta do Pedro e sua Igreja comprometida sempre foi pela justiça e pela vida.

Pedro é luta. Pedro é inspiração. Pedro é exemplo. E a doença e a velhice de Pedro não devem ser entendidas apenas como um sofrimento. Deve nos provocar uma “profunda reflexão do significado de 90 anos de vida dedicados à resistência contra o capital e a defesa dos pobres”, palavras da professora e lutadora mineira Maria José Silva.

E que possamos, todos e todas nós, nos inspirar em Dom Pedro Casaldáliga para os tempos difíceis que nosso país atravessa e atravessará.

Que a esperança ativa e indignada nos guie!

Maria Júlia Gomes Andrade. Antropóloga e coordenadora do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).

Atualizado e adaptado por: Associação ANSA, São Félix do Araguaia, MT.

Texto originalmente publicado no site Brasil de Fato.

Actualitzado no 25 de julho de 2020.

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Esse foi o enterro de Casaldáliga

Esse foi o enterro de Casaldáliga

Casaldáliga foi enterrado à beira do Araguaia, com o seu povo., no dia 12 de agosto de 2020. Essa foi a celebração e o sepultamento em São Félix do Araguaia, junto aos peões e os indígenas.

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